Estudo de Desenho Urbano no Bairro São José

Estudo de Desenho Urbano no Bairro São José: reflexões propositivas – Projeto de extensão desenvolvido pelos alunos do 9 período do curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo do UNIPÊ entre 2010.2 e 2011.2.

Prof. Ms. Marco Suassuna Alunos: Igor Siebra Maropo, Kaline Nunes, Lívia Falcão, Luciana de Lira A. Sampaio, Mariana Caldas Melo, Natália Caroline de M. Dantas, Ygor Gonzaga Gonçalves da Costa, Zacarias Paulo de M. Neto

Breve contextualização

O trabalho aborda a experiência de desenho urbano na maior favela de João Pessoa-PB com mais de 16.000 habitantes, situada em região nobre cujo entorno é formado por bairros de classe média-alta, João Agripino e Manaíra. A ocupação desordenada encontra-se entre dois limites naturais: o Rio Jaguaribe e a falésia. O projeto de extensão desenvolvido entre os semestres 2010.2 e 2011.1, pelos alunos do 9º período do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo do UNIPÊ, busca estudar meios que possam contribuir com a redução da exclusão sócioespacial propondo o seu redesenho com a provisão de infraestrutura e equipamentos de inclusão socioespacial, utilizando-se da ferramenta do desenho urbano.

Procedimentos metodológicos
Foram percorridos os seguintes passos para a elaboração do estudo:

● Levantamento bibliográfico:
● Pesquisa de campo e entrevistas:
● Registro fotográfico:
● Atividades de atelier:
● Desenvolvimento da proposta de desenho urbano e das tipologias arquitetônicas:
● Elaboração de painéis que apresentam os resultados do estudo. (Veja no Final do artigo)

Áreas estratégicas catalisadoras das transformações:
Para viabilizar os trabalhos acadêmicos, foram definidas duas áreas catalisadoras das transformações a) o acesso principal, como símbolo maior de integração com o entorno; e b) dois espaços vazios próximos a Unidade de Saúde da Família, cuja proposta consolida a vocação de praças de convívio.

Do acesso principal
O acesso ao bairro se dá pela Avenida Ruy Carneiro, importante eixo viário de ligação entre os bairros de alta renda, na zona leste litorânea, e a Avenida Epitácio Pessoa, que conduz os fluxos em direção ao centro da cidade. Pela condição de exclusão espacial, a estrutura físicoambiental do acesso é marcada por construções precárias, calçadas deterioradas e com desníveis e barreiras físicas que impedem a acessibilidade. A principal via do bairro, denominado Rua Edmundo Filho, é sub-dimensionada ocasionando conflitos entre os veículos que saem e os que entram no bairro. Outro aspecto preocupante se refere à ocupação às margens do Rio Jaguaribe, onde em períodos de fortes chuvas, inundações evidenciam os sinais da ocupação desordenada.

Como resultado desses aspectos reunidos, a paisagem do acesso ao bairro é caótica e despercebida pelos transeuntes e motoristas do entorno devido o estado de abandono e pelas barreiras físicas das construções que impedem a perspectiva urbana. Para tentar inverter esse quadro, o trabalho entende que é preciso: a) integrar o acesso do bairro com o entorno a partir da liberação das visuais; b) promover a inclusão sócio espacial; c) minimizar os impactos ambientais ao Rio Jaguaribe, dignificar as habitações e comércios; d) melhorar a visibilidade do rio e do bairro contribuindo para qualificar o desenho da paisagem do acesso.

Fotomontagem mostrando o edifício de uso misto (habitacional e comercial), a praça, a vegetação ripária e liberação das visuais do principal acesso ao bairro São José. Fonte: Igor Siebra.


Das praças próximas a Unidade de Saúde da Família

No ano de 2008, a prefeitura municipal de João Pessoa construiu a Unidade de Saúde da Família no lado do bairro Manaíra. Para interligar com o bairro São José, foi construída uma ponte metálica por onde passam tanto motos e bicicletas quanto pedestres. Resultado das demolições das moradias para implantação da ponte, duas áreas livres com bancos danificados e aridez insinuam a condição de ponto de encontro, uma do lado do bairro de baixa renda em questão, a outra do lado do bairro de maior poder aquisitivo (Manaíra). Mas o estado de abandono e degradação de ambas surpreende pelo contraste de ser vizinho a uma intervenção oficial construída pela prefeitura – a USF.

A partir da leitura do lugar, do reconhecimento das preexistências paisagística, comportamentais e de fluxos foram estabelecidas algumas diretrizes: a) disciplinar o fluxo de motos, bicicletas e pedestres; b) consolidar a vocação de ponto de convívio nas áreas livres; c) oferecer dois espaços públicos que integram as cidades formal e informal; e e) contribuir com o desenho qualificado da paisagem no trecho marcado por feiúra e descaso.
Expectativas futuras

Apontado como sendo o principal objetivo do projeto de extensão desenvolvido, a elaboração da proposta de desenho urbano em questão, apresenta como intenção final sua apresentação à comunidade do referido bairro, bem como, ao poder municipal responsável, e aos interesses privados que se relacionam de alguma forma com o espaço de intervenção.
Com o intuito principal de minimizar a exclusão sócio espacial explícita no local, que tal proposta será determinante na melhora das relações entre o bairro em estudo e seu entorno imediato.
Painéis do estudo de desenho urbano

 

Desenho urbano no bairro São José: Painel 1

Desenho urbano no bairro São José: Painel 2

Desenho urbano no bairro São José: Painel 3

Desenho urbano no bairro São José: Painel 4

Desenho urbano no bairro São José: Painel 5

Desenho urbano no bairro São José: Painel 5